Mercado de mulher
Por Juliana Garçon – Palestrante do Beleza Sustentável 2010
Seguradoras, empresas de previdência privada, bancos e corretoras “descobriram” as mulheres há apenas uns dez anos, talvez 12. Foi bem depois da indústria de alimentos, higiene e limpeza, do comércio para esses itens e do mercado editorial. Afinal, a mulher sempre foi gerente da casa. Não se vê propaganda de sabão em pó sem uma mulher feliz por ter lavado com muita facilidade as roupas imundas das crianças. Sempre foi assim.
Já em relação aos serviços e produtos financeiros é diferente. As mulheres chegaram a eles depois dos homens. E até com algum atraso em relação a seu próprio avanço no mercado de trabalho. Acontece que a gerência dos investimentos do casal resistiu e resiste como papel do homem, até em famílias nas quais os ganhos do marido e da mulher são equivalentes.
Além do mais, os produtos financeiros só começaram a se popularizar alguns anos após a estabilização econômica, iniciada em 1994 com o Plano Real. O fim da última década, a propósito, quando as seguradoras decidiram que era possível vender mais apólices de seguro para carros, marcou a ruína de um mito.
Trata-se, você já imagina, daquela história de que mulher dirige mal. Os registros das seguradoras mostram que motoristas do sexo feminino são mais cautelosos e sofrem menos acidentes. Por isso, suas apólices custam menos. Na Tokio Marine, por exemplo, os seguros de automóveis feitos por mulheres saem entre 20% e 40% mais baratos do que os dos homens. A diferença varia com a idade. É maior – chega aos 40% – entre os motoristas mais jovens, na casa dos 20 anos, e menor no público a partir de 40 anos. Excessivamente “arrojados”, os rapazes são os que mais sofrem acidentes. Com o passar do tempo, vão criando juízo. Seu perfil vai se aproximando do das mulheres, e o degrau entre as apólices de motoristas do sexo masculino e feminino fica menor.
Mais recentemente, surgiram seguros em que o primeiro acidente tem franquia gratuita. A aposta das empresas é que elas simplesmente não vão bater e, se isso acontecer, resultará num estrago pequeno. Também apareceram contratos cheios de mimos para as seguradas. A SulAmérica Seguros, por exemplo, oferece a opção de envio de um motorista no caso de quebra ou acidente durante a madrugada ou impossibilidade de dirigir, a qualquer hora do dia. As moças também podem acionar a assistência para troca de pneus e pedir um acompanhante para ir à delegacia, em situações mais graves. (Se bem que vale a dica: é possível fazer boletins de ocorrência pela internet, em caso de furto e problemas simples. Não tem preço.)
A bola da vez são os planos de previdência. A Real Tokio Marine lançou um produto para as mulheres neste mês de março. O produto só será oferecido em datas e épocas relacionadas às mulheres. Quem fecha negócio ganha uma bolsa assinada pelo estilista Reinaldo Lourenço e descontos em clínicas de estéticas. No resto, é igual aos outros planos da empresa, mas outros produtos como este devem surgir de tempos em tempos.
Para a consumidora, a questão que fica é saber diferenciar as vantagens adicionais do produto de um simples chamariz.
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