Mães à beira de um ataque de nervos

By Beleza Sustentável • fevereiro 3rd, 2010

Por Juliana Garçon (Juliana Garçon é jornalista da BM&FBovespa e estará no evento Beleza Sustentável 2010).

Tem coisa que parece bobagem. Fazer lista de supermercado, por exemplo. Tem cara de conselho chato que a mãe dá e a gente tem gosto em não seguir. A carapuça me cai bem. Acho muito mais fácil e divertido flanar pelos corredores, ir lembrando do que preciso e checando as novidades. Isso quando a geladeira já está fazendo eco, de tão vazia, acabou o café e o papel higiênico está no fim.

Só que, no planejamento financeiro, como em outras esferas da vida, algumas rotinas velhas e simples funcionam mesmo. É o caso da tal lista de compras de supermercado. Já que não dá para contornar a necessidade de alimentos e itens de higiene e limpeza, essa contabilidade deve ser a primeira no controle de gastos do mês.

Ao sair de casa, em tese, já deveríamos ter uma boa noção de quanto vamos deixar lá, mas todo mundo gasta mais do que o necessário no supermercado. Natural, pois as lojas são preparadas pelos melhores especialistas para estimular o consumo. Talvez sejam até mais “perigosas” do que os shoppings, onde vamos paquerar vitrines, às vezes sem disposição para sacar a carteira.

No supermercado é diferente. O espírito já está preparado para um desembolso razoável. Quando o carrinho está meio cheio nem lembramos de tudo que já jogamos ali, e uma coisinha a mais “não vai fazer diferença”. Além disso, temos de enfrentar uma bela fila, e no mês que vem as coisas estarão mais caras. Enfim, chega a parecer sensato levar uns itens que nem sabemos bem quando e como usar.

Mas é claro que não é sensato. Com a inflação sob controle, fazer estoques se tornou inútil. “A pessoa leva produtos que vão acabar estragando. Ou acaba comendo demais porque é tentador ou para evitar desperdícios”, diz Cássia D’Aquino, consultora especializada em educação financeira. Ao fazer a lista, verificamos o que precisamos e o que queremos. É um momento para fazer escolhas. Isso não quer dizer veto total a uns produtinhos supérfluos. Mas que estamos pensando, priorizando e elegendo nossos próprios mimos em vez de deixar isso para o acaso e os profissionais do marketing. E daí, o que é excesso de gasto – ou “gordura”, no jargão financeiro – vira uma moeda a mais no seu porquinho.

“Isso é fácil para quem não tem filhos”, você está pensando agora. Tem toda razão. Nada como uma criança se jogando no chão para o controle – tanto orçamentário quanto emocional – evaporar. Tive uma chefe que, diante do surto da filha pequena, largou o carrinho que havia levado uma hora para encher, botou a fofinha no carro e voltou para casa chorando de frustração e desespero. Minha dentista, por sua vez, pediu ao faxineiro do mercado que varresse o filho na ocasião em que o herdeiro deu show. “Um filho assim eu não quero”, ela teria dito, e o moleque estava em pé num segundo.

Para evitar cenas assim, Cássia sugere envolver as crianças no planejamento das compras. “Alguns consultores dizem para não levar os filhos ao mercado. Mas nem sempre há com quem deixá-los, e não dá para simplesmente amarrá-los num poste.” É preciso ensinar as crianças a lidar com dinheiro, com o fato de que é um recurso finito. “Filhos que se jogam no chão refletem pais que jogam qualquer coisa no carrinho.”

Quando estiver fazendo a lista, recomenda Cássia, peça à criança para que vá ver se ainda há determinado produto – sabonete, por exemplo. Constatada a necessidade de X sabonetes, ela se torna responsável pela compra. Essa rotina pode ser praticada a partir dos três anos de idade e deve ser sofisticada com o amadurecimento. “As crianças ficam mais calmas no supermercado, pois têm uma missão. E, ao ver que os pais estão definindo e listando os produtos, entendem melhor que não adianta pedir algo a mais, fora da lista.”

Elas também podem ter a chance de negociar durante elaboração do rol. Poderá levar chocolate, mas abre mão do sorvete. “As opções da criança ficam estabelecidas. E ela começa a ver que é preciso fazer escolhas, não se pode ter tudo, e que é preciso planejar as coisas.”

A brincadeira de fazer lista e ir ao supermercado tem apenas duas regras importantes:

i) siga a sua lista!

ii) nunca, jamais, em hipótese alguma, leve os pequenos com fome, com sono ou cansados, situações em que são altas as chances de um chilique. Aliás, justificável.
FONTE: BM&FBovespa – www.bmfbovespa.com.br/mulheres

 

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