De bem com os números
Por Juliana Garçon – Palestrante do evento Beleza Sustentável 2010
Repense a relação com a matemática e os conceitos financeiros
Matemática era a matéria em que eu tirava as piores notas na escola. Com o tempo, aprendi a gostar. E verifiquei que o pavor de números é um mal que acomete um sem-número de mulheres.
“As mulheres tomam decisões com base numa combinação de raciocínio e intuição, enquanto os homens se baseiam mais em fatos e estatísticas”, diz a consultora de investimentos Sandra Blanco, em seu livro “A Bolsa para Mulheres – A experiência de um clube de investimento em ações”, lançado pela editora Campus Elsevier, no ano passado, como parte da coleção Expo Money.
Sentido-se mais seguros, por sua vez, os homens operam com mais freqüência (45%) no mercado de ações. A autora cita o estudo “Boys will be boys: gender, overconfidence and commom stock investiment” (Garotos serão sempre garotos: gênero, excesso de confiança e o investimento no mercado de ações), da dupla de pesquisadores Brad Barber, da Universidade da Califórnia, e Terrance Odean, da Universidade de Berkeley.
Até aqui, parecemos estar em desvantagem, certo? Em termos.
Seja por insegurança em relação à matemática e às finanças, seja por rejeição consciente do risco, as mulheres tendem à postura mais conservadora. Fazem menos compras e vendas de ações. Estudam suas estratégias e se mantém fiéis a elas. O resultado é retorno líquido um pouco maior. (No estudo de Barber e Odean, os homens tiveram retorno 1,4% menor do que as mulheres).
Além do mais, a falta de segurança em relação às habilidades matemáticas não significa falta de habilidade ou habilidade menor. Muitas mulheres dominam esse território _veja a Sandra, formada em matemática pela PUC-SP e criadora do clube de investimentos MulherInvest.
Poucas, porém, estão habituadas a vê-la como uma ferramenta para conquistas reais _bem estar, conforto, segurança_ e a falar sobre dinheiro. Mas vivemos numa sociedade capitalista, e o meio de troca é o dinheiro. Deveríamos tratar dele com mais atenção.
“Por que a maioria das mulheres não gosta de falar de dinheiro?”, pergunta Sandra, para responder:
i) Por estar endividada. O descontrole se materializou. O melhor “é encarar o bicho de frente”, diz Sandra. Adiar a solução torna constante o sentimento de desconforto das preocupações, leva a privações, derruba a auto-estima e reduz a produtividade.
ii) Por estar em boa situação financeira. Isso é bom! Mas é preciso ficar atenta ao risco é de a fonte secar _por exemplo, perder o emprego. Daí a necessidade de aplicar a poupança e, para acentuar seu crescimento, vencer o medo de aplicar em ações. A consultora afirma: inteligência financeira pode ser desenvolvida!
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