Mulheres fazem um caixa dois no casamento

By Beleza Sustentável • fevereiro 2nd, 2010

Por Juliana Garçon (A jornalista Juliana Garçon é uma das palestrantes do Painel Beleza Financeira no evento Beleza Sustentável 2010).

O mundo seria infinitamente melhor se fosse comandado pelas mulheres. Essa é mais uma das teses duvidosas defendida com insistência por um colega, um jornalista do sexo masculino. Ele não tem dúvidas de que as mulheres têm, naturalmente, mais ética do que os homens. É uma idéia consolidada no senso comum. Simpática e até lisonjeira. Mas desconfio que tem algo errado com ela.

Muitos homens juram que só contam certas mentirinhas para as namoradas e as esposas com o objetivo de evitar uma interminável discussão. Isso acontece mesmo que não estejam aprontando algo que julguem ser errado. Por exemplo, dizem que vão trabalhar ou jogar futebol quando têm como destino uma mesa de bar. Omitem a existência de amigAs. “Esquecem” de contar que, sem querer, reencontraram uma ex. Juram, por tudo de mais sagrado, que nem repararam que a nova colega é uma super gata. Compram revista de mulher pelada “para ler as entrevistas”, claro. Isso sem contar os clássicos como “eu te ligo amanhã” ou “imagina que eu esqueceria o nosso aniversário de casamento”. Enfim, mentem em nome da harmonia.

Mulher e Dinheiro

Mulher e Dinheiro

Pois bem. Recentemente descobri que muitas mulheres fazem um “caixa dois” no casamento. O objetivo também é evitar os intermináveis bate-bocas com o companheiro como, por exemplo, quando querem uma bolsa nova e já estão escaldadas com discursos que podem ser resumidos em “não acredito que você pagou tudo isso nesse troço”. Para fugir do sermão, elas dissolvem o custo do item nas despesas gerais da casa, quase sempre administradas pela mulher. No meio de um turbilhão de contas das famílias de classe média – supermercado, escola, plano de saúde, TV a cabo, internet banda larga, água, energia e tantas outras –, fica fácil fazer um acessório de R$ 600 perder um zero.

Os artifícios para que o caixa dois funcione exigem algum sangue frio. Não dá para chegar em casa desfilando a peça nova. O marido vai logo perguntar quanto custou, mesmo que tenha o bom senso de dizer primeiro que ela é super bacana. Por isso, as moças reprimem a ansiedade de usar a bolsa ou seja lá qual for o “presentinho” recém-adquirido. Ao chegar da loja, dão sumiço nas etiquetas e transferem os itens para o esconderijo de novidades. Eles são resgatados aos poucos, em momentos estratégicos. Já ouvi falar até em mulher que simula mágoa caso o marido se arrisque a perguntar se o tal vestido é novo: “Você não repara em mim, não lembra do que eu estava usando naquele dia, blá blá blá”.

Essa situação é mais comum em famílias nas quais a esposa não trabalha fora. Quando não é este o caso, outras coisas acontecem. Uma consultora financeira conta, por exemplo, que conhece uma mulher que mente ao marido sobre o próprio salário. Ela ganha muito bem, mas “declara” valor menor. Tudo para evitar a chateação de debater o valor dos objetos de desejo, adquiridos com a diferença.

Sim, fomos educadas para sermos menos competitivas e mais leais. Mas essa educação seria igual se estivéssemos no comando de governos e das companhias? Quando chegarmos lá em massa, seremos assim tão éticas ou vamos virar “homens de saias”? Só o tempo dirá. Mas, por ora, a idealização da mulher me parece mais uma forma de machismo às avessas do que o reconhecimento de um traço de moral superior.

Fonte: BM&FBovespa – http://www.bmfbovespa.com.br/mulheres

 

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